Neste Artigo
  1. Peso da GO na Prova
  2. Pré-Natal: Rotina de Exames e Classificação de Risco
  3. Emergências Obstétricas
  4. Trabalho de Parto: Fases, Partograma e Cesárea
  5. Diabetes Mellitus Gestacional
  6. Ginecologia: SUA, Miomas, Endometriose e Rastreio
  7. ISTs na Gestação
  8. Contracepção
  9. Estações OSCE de GO
  10. Tabela: Temas x Frequência por Edição

Ginecologia e Obstetrícia (GO) é, ao lado de Clínica Médica, a área de maior peso no Revalida INEP. Com aproximadamente 20% da prova, a GO exige domínio tanto de conceitos teóricos quanto de habilidades práticas — especialmente na prova OSCE, onde estações de pré-natal, partograma e emergências obstétricas são frequentes.

Este guia é um roteiro completo para direcionar seus estudos nos temas de GO mais cobrados, com foco em condutas baseadas nos protocolos do Ministério da Saúde.

Peso da GO na Prova (~20%)

Na análise das últimas edições do Revalida, a GO se distribui assim:

Subárea Peso Aproximado Dentro de GO
Obstetrícia (pré-natal, parto, puerpério) 60-65%
Emergências obstétricas 15-20%
Ginecologia geral 15-20%
Contracepção e planejamento familiar 5-10%

A Obstetrícia domina claramente, o que faz sentido para um exame que avalia competências em atenção primária e emergências.

Pré-Natal: Rotina de Exames e Classificação de Risco

O pré-natal é o tema obstétrico mais cobrado no Revalida, tanto na prova objetiva quanto no OSCE. O protocolo de referência é o Caderno de Atenção Básica nº 32 — Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco (MS).

Consultas mínimas recomendadas

O MS preconiza no mínimo 6 consultas de pré-natal (idealmente mais):

Exames de rotina do pré-natal

Exame 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre
Hemograma Sim Sim (a partir de 28 sem)
Tipagem sanguínea + Rh Sim
Coombs indireto (se Rh negativo) Sim Sim (28 sem) Sim (mensal)
Glicemia de jejum Sim
TOTG 75g Sim (24-28 sem)
VDRL Sim Sim (28 sem e parto)
Anti-HIV Sim Sim (28 sem e parto)
HBsAg Sim Sim (28 sem)
Toxoplasmose (IgG/IgM) Sim Trimestral (se suscetível) Trimestral (se suscetível)
Urina tipo I + Urocultura Sim Sim Sim
Ultrassonografia obstétrica Sim (datação) Sim (morfológico) Se indicação
Cultura para Streptococcus grupo B (GBS) Sim (35-37 sem)

Classificação de risco gestacional

Fatores que classificam o pré-natal como alto risco:

Suplementação Obrigatória

Ácido fólico: 0,4 mg/dia (iniciar 3 meses antes da concepção até 12 semanas). Sulfato ferroso: 40 mg de ferro elementar/dia a partir de 20 semanas até 3 meses pós-parto.

Emergências Obstétricas

As emergências obstétricas são temas de alta incidência no Revalida, especialmente na prova OSCE. Dominar o manejo inicial é essencial.

Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia

Pré-eclâmpsia: PA ≥140/90 mmHg após 20 semanas de gestação + proteinúria (≥300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥0,3) OU disfunção de órgão-alvo.

Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade:

Eclâmpsia: Convulsão tônico-clônica generalizada em gestante com pré-eclâmpsia.

Conduta na eclâmpsia (cobrada no OSCE)

  1. Sulfato de magnésio (MgSO4): Esquema de Zuspan: ataque 4g IV em 20 min + manutenção 1-2g/h em bomba de infusão
  2. Anti-hipertensivo: Hidralazina 5 mg IV (pode repetir a cada 20 min) ou Nifedipina 10 mg VO
  3. Monitorar sinais de intoxicação por magnésio: Reflexo patelar abolido, FR <16 irpm, diurese <25 mL/h. Antídoto: Gluconato de cálcio 10% 10 mL IV
  4. Resolução da gestação: O tratamento definitivo da eclâmpsia é o PARTO. Estabilizar e indicar cesárea ou indução.

Hemorragia Pós-Parto (HPP)

Definição: Perda sanguínea ≥500 mL no parto vaginal ou ≥1.000 mL na cesárea.

Causas (4 T's):

Conduta para atonia uterina:

  1. Massagem uterina bimanual
  2. Ocitocina 20-40 UI em 1.000 mL de SF IV
  3. Ergometrina 0,2 mg IM (contraindicada em hipertensas)
  4. Misoprostol 800 mcg retal
  5. Ácido tranexâmico 1g IV
  6. Balão intrauterino (balão de Bakri)
  7. Sutura de B-Lynch ou histerectomia (último recurso)

Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)

Placenta Prévia

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Trabalho de Parto: Fases, Partograma e Indicação de Cesárea

Fases do trabalho de parto

Fase Descrição Duração Média
1º período (dilatação) Início do TP até dilatação completa (10 cm). Fase latente: até 4 cm. Fase ativa: 4-10 cm. Primíparas: 12-16h. Multíparas: 6-8h
2º período (expulsão) Dilatação completa até nascimento do feto Primíparas: até 2h. Multíparas: até 1h
3º período (dequitação) Nascimento até expulsão da placenta Até 30 minutos
4º período (Greenberg) 1ª hora após dequitação (risco de HPP) 1 hora

Partograma

O partograma é a ferramenta gráfica para acompanhamento do trabalho de parto. Deve ser iniciado quando a gestante está na fase ativa (dilatação ≥4 cm + contrações regulares).

Elementos registrados:

Atenção no OSCE

Se a curva de dilatação cruza a linha de ação, há distócia e é necessário intervir: avaliar indicação de amniotomia, ocitocina ou cesárea. Este é um dos cenários mais cobrados em estações OSCE de GO.

Indicações de cesárea

Absolutas:

Relativas (avaliar caso a caso):

Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)

Diagnóstico (critérios IADPSG/MS)

Conduta

  1. Dieta e exercício: 1ª linha. Acompanhamento nutricional, atividade física regular
  2. Monitorização glicêmica: Perfil glicêmico (jejum, pós-prandial 1h e 2h). Alvos: jejum <95 mg/dL, 1h pós-prandial <140 mg/dL
  3. Insulina: Se metas não atingidas com dieta em 2 semanas. Metformina pode ser usada como alternativa (controverso, mas aceito pelo MS)
  4. Parto: DMG controlado com dieta: parto com 39-40 semanas. DMG com insulina: parto com 38-39 semanas. Via de parto: preferência por vaginal
  5. Pós-parto: TOTG 75g com 6 semanas pós-parto para reclassificação

Ginecologia: SUA, Miomas, Endometriose e Rastreio de CA de Colo

Sangramento Uterino Anormal (SUA)

Classificação PALM-COEIN (FIGO):

Leiomiomas (miomas)

Rastreamento de câncer de colo uterino

ISTs na Gestação

As ISTs na gestação são tema frequente, especialmente sífilis e HIV.

Sífilis gestacional

HIV na gestação

Contracepção

O tema contracepção aparece no Revalida com foco em:

Estações OSCE de GO

As estações de GO no OSCE mais frequentes nas últimas edições:

Estação Frequência O Que É Avaliado
Consulta de pré-natal Muito alta Rotina de exames, classificação de risco, orientações
Interpretação de partograma Alta Identificar distócia, indicar conduta
Eclâmpsia/pré-eclâmpsia Alta Esquema de MgSO4, anti-hipertensivo, indicação de parto
HPP (hemorragia pós-parto) Moderada-alta 4 T's, sequência de tratamento da atonia
DMG (diagnóstico e conduta) Moderada Interpretação de TOTG, conduta nutricional e insulínica
Sífilis gestacional Moderada Diagnóstico, tratamento adequado, tratamento do parceiro
Coleta de Papanicolaou Baixa-moderada Técnica de coleta, periodicidade, conduta frente a resultados

Tabela: Temas x Frequência por Edição

Tema 2022.1 2022.2 2023.1 2023.2 2024.1 2024.2
Pré-natal Sim Sim Sim Sim Sim Sim
Pré-eclâmpsia/Eclâmpsia Sim Sim Sim Sim
Partograma Sim Sim Sim Sim
DMG Sim Sim Sim Sim
HPP Sim Sim Sim
Sífilis gestacional Sim Sim Sim
DPP/Placenta prévia Sim Sim Sim
Contracepção Sim Sim Sim
Rastreio CA colo Sim Sim Sim
Prioridade de Estudo

Se você tem tempo limitado, foque em: pré-natal + pré-eclâmpsia/eclâmpsia + partograma + DMG. Esses 4 temas sozinhos cobrem mais de 60% das questões de GO no Revalida.

Conclusão

Ginecologia e Obstetrícia no Revalida exige estudo sistemático e focado nos protocolos do Ministério da Saúde. A boa notícia é que os temas são previsíveis: pré-natal, emergências obstétricas e partograma dominam a prova há várias edições consecutivas.

Para a prova OSCE, o diferencial está em demonstrar segurança no manejo de emergências (eclâmpsia, HPP) e em saber conduzir uma consulta de pré-natal completa em poucos minutos. Treine com cronômetro e simulações práticas — a repetição é o que consolida o conhecimento em cenários de pressão.

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